Que
nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo
mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das
palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós. Que
quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo
de voltar a ser menino, você que já é um homem. Que quando eu a olhe, minha
filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como
desde o primeiro instante.
Que
quando precisarem de mim, meus filhos, vocês nunca hesitem em chamar: mãe! Seja
para prender um botão de camisa, ficar com uma criança, segurar a mão, tentar
fazer baixar a febre, socorrer com qualquer tipo de recurso, ou apenas escutar
alguma queixa ou preocupação. Não é preciso constrangerem-se de ser filhos
querendo mãe, só porque vocês também já estão grisalhos, ou com filhos
crescidos, com suas alegrias e dores, como eu tenho e tive as minhas. Que,
independendo da hora e do lugar, a gente se sinta bem pensando no outro. Que
essa consciência faça expandir-se a vida e o coração, na certeza de que aquela
pessoa, seja onde for, vai saber entender; o que não entender vai absorver; e o
que não absorver vai enfeitar e tornar bom.
Que em
qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo,
idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve,
a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos
meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do
que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos
filósofos de explicar os enigmas da existência. A sensação que vinha do seu
cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a
partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta
bela e complicada terra. E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado
muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter.
Texto: Lya Luft
Homenagem
do Programa Mãe Coruja Pernambucana a todas as mães
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