Caros leitores do Blog do Programa Mãe Coruja
Pernambucana,
Dentre
tantas publicações no nosso blog, gostaríamos de destacar como de fundamental
importância as matérias publicadas sobre as “Oficinas de vigilância do óbito fetal
infantil e materno” que vem acontecendo nas doze regionais de saúde do nosso
estado, movimentadas pelo Programa, onde
reúne atores imprescindíveis como, a vigilância sanitária das regionais,
dos municípios, agentes da epidemiologia, da atenção básica e profissionais dos
cantos Mãe Coruja, diante de números alarmantes na perspectiva da evitabilidade
da maioria dos óbitos fetais, infantis e maternos, de percebermos diante destes
números, uma indignação, e a necessidade urgente de irmos a luta.
É principalmente pra este público, que indicamos
esta leitura e pra todos que de alguma
forma estão inseridos nesta luta no sentido de enriquecer o trabalho de cada um.
Programa Mãe Coruja Pernambucana
Estudo faz alerta sobre a situação da
prematuridade no Brasil
Brasília, 5 de agosto – O estudo “Prematuridade
e suas possíveis causas”, divulgado hoje em Brasília, revelou que a prevalência
de partos de crianças prematuras é de 11,7% em relação a todos os partos
realizados no País.
Esse percentual coloca o Brasil no mesmo
patamar de países de baixa renda, onde a prevalência é de 11,8%. Nos países de
renda média o percentual é de 9,4%, segundo o relatório “Born too Soon”,
divulgado pela Organização Mundial da Saúde em 2012.
O estudo foi apresentado hoje no evento Ciclo
de Estudos, promovido pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da
Saúde (SVS/MS) para especialistas da área.
Os pesquisadores investigaram os números da
prematuridade no Brasil e também o baixo peso ao nascer. O levantamento,
apoiado pelo UNICEF e Ministério da Saúde, foi liderado pelo Programa de
Pós-graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas e contou com
a participação de 12 universidades brasileiras.
Segundo o estudo, há um crescimento de partos
prematuros no Brasil, ao contrário do que se poderia esperar, já que o País vem
reduzindo as suas taxas de mortalidade.
O SINASC, sistema do Ministério da Saúde,
apontava um discreto aumento no percentual de prematuridade, de 6,8% para 7,2%
entre 2000 e 2010. Entretanto, o atual estudo corrige o valor de 2010 para
11,7%.
Segundo a OMS, em 2010, nasceram 15 milhões de
crianças prematuras (abaixo de 37 semanas de gestação). O Brasil está na décima
posição entre os países onde mais nascem prematuros.
A prematuridade é a principal causa de morte de
crianças no primeiro mês de vida, segundo dados do Ministério da Saúde (2011).
Atualmente, a taxa brasileira de mortalidade de crianças abaixo de 1 ano é de
16/1000 nascidos vivos, segundo a Rede Interagencial de Informações para a
Saúde - RIPSA. Cerca de 70% das mortes acontecem nos primeiros 28 dias de
nascimento.
Paradoxalmente, as regiões mais desenvolvidas
(Sul e Sudeste) são as que apresentam os maiores percentuais de prematuridade
(12% e 12,5%, respectivamente), seguidos pela Região Centro-Oeste (11,5%),
Nordeste (10,9%) e Norte (10,8%).
Um fator que chama atenção no estudo é como a
cor de pele e a etnia influenciam na prevalência da prematuridade. As mulheres
indígenas apresentam o maior percentual, de 8,1%. As mulheres de pele branca
respondem pelo percentual de 7,8%, seguida pelas mulheres de pele negra (7,7%),
parda (7,1%) e amarela (6,3%).
Outro fator que também pode influenciar nos
partos prematuros é a idade da mãe. A maior prevalência nesse quesito foi
encontrada entre as gestantes abaixo dos 15 anos de idade, respondendo com uma
prevalência de 10,8% contra a menor taxa encontrada, 6,7%, entre as mulheres na
faixa dos 20 aos 34 anos.
Baixo Peso ao Nascer - O estudo também investigou os dados de baixo peso das crianças ao nascer (menor de 2.500 gramas). O percentual tem se mantido estável desde 2000, em torno de 8% do total de nascimentos.
Fatores como raça, etnia e a idade da mãe
também têm influência na prevalência dos casos de baixo peso ao nascer. Nesse
caso, as mulheres negras respondem pelo maior percentual de nascimentos de
crianças abaixo do peso (9,4%), seguida pelas brancas (8,3%) e pardas (8,2%). A
menor taxa encontrada foi entre as mulheres amarelas e indígenas: 7,6% e 7,7%,
respectivamente.
Novamente, as regiões com maiores prevalências
são o Sudeste e o Sul e as menores taxas estão no Norte e Nordeste. Os
percentuais nas regiões Sudeste e Sul não são compatíveis com o nível de
desenvolvimento dessas regiões, nem mesmo com os avanços dos indicadores de
saúde materno-infantil.
Cesariana – Dados do estudo podem revelar uma
estreita relação entre o aumento da prematuridade e a realização de cesarianas.
As mais altas taxas são observadas nas regiões
mais desenvolvidas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, enquanto as mais baixas
estão nas regiões Norte e Nordeste.
Entretanto, para estabelecer essa relação com
mais exatidão são necessários estudos mais aprofundados.
O Brasil apresenta as mais altas taxas de
cesarianas no mundo. Sua frequência aumentou de 37.8% de todos os partos em
2000 para 52.3% em 2010. A Organização Mundial da Saúde recomenda que a taxa de
cesariana não ultrapasse os 15%, e alerta que o excesso de cesarianas aumenta a
mortalidade de mães e de crianças.
Para o representante do UNICEF no Brasil, Gary
Stahl, o estudo reforça a urgência de esclarecer a relação de causa e efeito
entre cesariana e prematuridade. “Isso contribuiria para reduzir a epidemia de
cesarianas no Brasil e reverter o quadro de prematuridade.”
Para ele, isso só poderá ser feito por uma ação
articulada entre gestores e profissionais da saúde.
O representante do UNICEF destaca as
recomendações do estudo relacionadas à necessidade de dar foco à melhoria da
escolaridade das mulheres, à redução da gravidez na adolescência e à atenção
especial à população indígena.
Compromisso com a sobrevivência infantil - O
estudo é uma contribuição para o “Compromisso com a sobrevivência infantil: uma
promessa renovada”, uma iniciativa do UNICEF e dos governos dos EUA, Índia e
Etiópia, em apoio à estratégia Toda Mulher Toda Criança, da Assembléia Geral da
ONU, lançada em 2010.
O compromisso tem como objetivo acelerar os
esforços dos governos e da sociedade de reduzir as mortes evitáveis de crianças
de até 5 anos, com ênfase nos primeiros dias de vida. O objetivo é reduzir a
mortalidade na infância para 20 ou menos óbitos de crianças por 1.000 nascidos
vivos em todos os países até 2035. Para os países como o Brasil, cuja taxa da mortalidade na infância está abaixo de 20/1000, o desafio é reduzir essa taxa nas populações mais vulneráveis.
O cumprimento dessa meta histórica salvará a
vida de 45 milhões de crianças a mais até 2035, fazendo com que o mundo chegue
mais perto da meta de acabar com as mortes evitáveis de crianças. Saiba mais em www.apromiserenewed.org.
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